MADRID, 8 de julho (EUROPA PRESS) –

Cientistas do Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL), nos Estados Unidos, descobriram que podem parar o crescimento de células cancerígenas do pâncreas, interferindo na forma em que as células armazenam colesterol. Suas descobertas em camundongos e modelos de pâncreas cultivados em laboratório apontam para uma nova estratégia para o tratamento de doenças fatais.

O estudo, publicado no Journal of Experimental Medicine, foi liderado pelo professor da CSHL, David Tuveson. A equipe de Tuveson queria saber por que as células cancerígenas pancreáticas, como muitas células cancerígenas, produzem quantidades abundantes de colesterol.

O colesterol é um componente essencial das membranas celulares, mas a equipe de pesquisa descobriu que as células cancerígenas do pâncreas produzem muito mais do que precisam para sustentar seu próprio crescimento.

"Isso é incomum, porque a via do colesterol é uma das vias mais reguladas no metabolismo", diz Tobiloba Oni, estudante de pós-graduação no laboratório de Tuveson, que explica que a maioria das células produz a quantidade de colesterol necessária, e eles rapidamente fecharam o caminho de síntese quando tiverem o suficiente.

Mas ele e seus colegas, incluindo Giulia Biffi, uma pós-doutoranda no laboratório de Tuveson, descobriram que as células cancerígenas convertem a maior parte do colesterol produzido em uma forma que pode ser armazenada dentro da célula. O colesterol livre nunca se acumula e o caminho da síntese continua a ser produzido mais.

As células cancerígenas no pâncreas parecem prosperar nessa síntese hiperativa do colesterol. A equipe acredita que isso é provavelmente porque eles estão tirando vantagem de outras moléculas geradas pelo mesmo caminho. Eles são capazes de manter o caminho funcionando e mantêm seu suprimento graças a uma enzima chamada esterol O-actiltransferase 1 (SOAT1), que converte o colesterol livre em sua forma armazenada e que as células cancerígenas do pâncreas têm em abundância.

Quando os pesquisadores removeram a enzima SOAT1 através da manipulação genética, impedindo as células de converter e armazenar seu colesterol, as células cancerígenas pararam de proliferar. Em experimentos com animais, a remoção da enzima interrompeu o crescimento do tumor.

Mais importante ainda, a equipe descobriu que a exclusão de SOAT1 afetava apenas células que apresentavam mutações em ambas as cópias de um gene supressor de tumor conhecido como p53. Essa alteração genética promove o crescimento do câncer e é muito comum nos tumores dos pacientes.

As células normais do pâncreas funcionavam bem sem a enzima nos experimentos da equipe, e isso faz do SOAT1 um alvo terapêutico promissor, diz Oni. A esperança, diz ele, é que os pesquisadores sejam capazes de desenvolver um medicamento que bloqueie seletivamente a enzima, prejudicando as células cancerígenas, mas deixando células normais saudáveis.

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