Eles são geneticamente modificados para detectar fraquezas do tumor

BARCELONA, 24 de outubro (EUROPA PRESS) –

Pesquisadores do Instituto de Investigações Biomédicas de Bellvitge (Idibell) do Hospital de Llobregat (Barcelona) Vermes humanizados através de uma modificação genética para torná-los sensíveis a um medicamento contra o câncer e identificar os pontos fracos das células tumorais.

O estudo, publicado na PLoS Genetics, imitou em um verme nematóide as mutações do gene humano SF3B1 que são encontradas em tumores – especialmente leucemias, mas também em tumores de mama e próstata -, com os quais eles foram capazes de identificar alvos terapêuticos através da detecção de pontos fracos das células cancerígenas com essas mutações.

Esses são vermes de nematóides da espécie 'Caenorhabditis elegans', usados ​​em pesquisas biomédicas porque possuem cerca de 20.000 genes, como seres humanos, e a maioria dos genes humanos relacionados a doenças possui um gene muito semelhante, ortólogo, neste worm.

O gene SF3B1 humano, que sofre mutação em diferentes tipos de câncer, é muito semelhante ao gene sftb-1 desse verme, a ponto de possuir 89% idênticos dos aminoácidos de uma proteína em suas regiões mais afetadas por mutações de câncer.

Pesquisadores aproveitaram a semelhança entre esses aminoácidos e sua experiência na técnica de edição gênica do CRISPR para imitar mutações no verme, em um trabalho dirigido por Julián Cerón, que faz parte da tese de doutorado de Xènia Serrat, e disse com a colaboração de pesquisadores do Instituto Pasteur em Paris (França).

Assim, os cientistas apontaram outros três fatores de splicing – splicing de RNA – que trabalham ao lado desse gene no processamento do RNA mensageiro, como alvos para moléculas terapêuticas que matam células cancerígenas mutação no SF3B1, mas não nas células normais.

DROGAS CLÍNICAS

Além de reproduzir mutações de pacientes com câncer no genoma dos vermes, o grupo Idibell também humanizou a região das proteínas

SF3B1 que se liga ao Pladienolide B, uma molécula da qual é derivado um medicamento que está em teste clínico para tratamento do câncer.

Esse avanço permitirá testar muito mais moléculas derivadas do Pladienolide B, para selecionar as mais eficientes como agentes antitumorais e, graças à tecnologia CRISPR, a substituição funcional das proteínas dos vermes por seus homólogos humanos permitirá o uso desses nematóides humanizados para investigar mecanismos da doença.

Também permitirá prever o envolvimento de certas mutações no desenvolvimento de doenças e servirá para encontrar novos medicamentos de maneira rápida, eficiente e eticamente responsável.

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