MADRID, 5 de setembro (edições) –

Já lhe aconteceu que quanto mais você ouve uma música, mais gosta? Essa atitude responde a um efeito psicológico formulado por Robert Zajonc na década de 1960: o efeito da mera exposição e explica por que as pessoas tendem a escolher o que lhes é familiar.

" O efeito da mera exposição afirma que tendemos a preferir coisas que nos são familiares e que têm atitudes positivas em relação a elas ", assegura a Infosalus o professor associado do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade Complutense de Madri (UCM), doutor em psicologia Francisco Estupiñá. Além disso, "há um bom número de estudos que confirmam sua existência", acrescenta o coordenador da PsiCall UCM.

Funciona, acima de tudo, com palavras e nomes. "O efeito mais poderoso ocorre com estímulos semânticos", diz o especialista. Mas isso não significa que isso não ocorra com objetos e pessoas reais, mas que seu efeito é menor . No caso de "pessoas e objetos reais, em comparação com esses estímulos, ele tem metade da intensidade", acrescenta Estupiñá. O que os estudos coincidem é falar de um aumento no gosto em geral.

De fato, o efeito da mera exposição tem sido tradicionalmente usado para explicar por que geralmente não se detesta demais a imagem de alguém no espelho ou por que parecem mais atraentes do que realmente são. . Essas teorias aludem ao fato de que a constante exposição de si mesmo à sua aparência a normaliza.

Mas o doutor em psicologia desmonta essa ideia. Para começar "nem todo mundo parece bonito no espelho", diz Estupiñá. Para continuar, "existem muitas variáveis ​​que afetam essa faceta do autoconceito", acrescenta o especialista.

O mesmo vale para se apaixonar. O professor da UCM exclui que é o efeito da mera exposição que faz uma pessoa se apaixonar por outra simplesmente por estar, vendo ou tratando-a. Embora seja verdade que "certamente podemos nos apaixonar por alguém que inicialmente nos causou uma má impressão", explica o especialista, "esse resultado não pode ser atribuído apenas ao efeito da mera exposição".

O que acontece é que "se apaixonar por alguém é resultado da interação de muitas variáveis ​​ e, em relação à personalidade, é muito difícil considerar a personalidade como um estímulo específico, único e delimitado", esclarece Estupiñá.

INTERAÇÃO DE ASSUNTOS

O especialista enfatiza que o efeito da mera exposição "não ocorre no vácuo". " Existem muitos outros processos que contribuem para a habituação ou a conscientização . Por exemplo, a atitude com que um estímulo é recebido, se eu o ignorar ou tentar colocá-lo por fim ou se a apresentação for curta", explica o especialista.

Portanto, "seria simplista pensar que basta entrar em contato com algo frequente que detestamos para mudar nossa afeição", resume Estupiñá, que lembra que "existem muitas nuances que afetam o resultado final".

E, sim, o efeito favorável diminui de um número finito de exposições ao mesmo estímulo, cem em particular, segundo o especialista. É por isso que, talvez, você acaba detestando aquela música que não consegue parar de ouvir.

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