A atividade permanente de tirar “selfies” passou a estar ligada a certos distúrbios psicológicos. É até proposto como um vício comportamental. Nós o analisamos.

Selfies e distúrbios psicológicos, como eles estão relacionados?

Última atualização: 01 de agosto de 2022

Cada vez mais se fala de uma associação entre o selfie e transtornos psicológicos, abrindo um novo debate sobre a forma como nos relacionamos com as tecnologias. É verdade que essa prática pode nos afetar?

Há alguns anos, a maioria das pessoas sabe do que estamos falando quando nos referimos a um selfie: a auto-captura de uma foto, com um uso geralmente destinado a redes sociais. Pode ficar aí, mas há quem faça disso a atividade do dia, o eixo que percorre cada momento.

Como selfies e distúrbios psicológicos estão relacionados?

Ainda não há consenso sobre qual categoria atribuir à obsessão por tirar selfies. Há quem já fale selfiecomo um termo para destacar a associação entre selfie e distúrbios psicológicos.

Dependendo de sua gravidade, determinada pela quantidade de tempo que a pessoa passa tirando fotos, pode ser classificada da seguinte forma:

  • Limite: tirar 3 fotos por dia, embora sem a necessidade de carregá-las nas redes.
  • Afiado: tirar várias fotos por dia e postá-las nas redes.
  • Crônica: tire fotos mais de 6 vezes por dia e atualize nas redes.

Por outro lado, há especialistas que preferem falar sobre um transtorno dismórfico corporal. Especialmente para aqueles casos em que os filtros do aplicativos e retoques do corpo são feitos antes da postagem.

Por último, o selfie Está incluído nos transtornos 2.0. Ou seja, aqueles que surgiram de mãos dadas com as novas tecnologias.

Por que o selfie?

Algumas das hipóteses comuns que são compartilhadas em torno do estado da arte da selfie e sua relação com os transtornos psicológicos são as seguintes:

  • Pegue um ou mais selfie não é um ato prejudicial em si mesmo. O problema surge quando se torna um obstáculo para a realização de outra atividade, tornando-se o principal interesse do nosso dia. Ou seja, se você se reúne para jantar com seus amigos, mas é mais importante capturar a imagem do que compartilhar o momento com eles, há uma desvantagem.
  • Muitas pessoas que são obstinadas com selfie tem histórico de baixa autoestima, necessidade e dependência de validação externabem como a busca de aprovação.
A baixa autoestima pode estar por trás da necessidade compulsiva de tirar fotos para postar nas redes sociais.

Consequências de tirar selfies 24 horas por dia, 7 dias por semana

Ninguém duvida do sorriso que faz com que seu celular faça de você um carrossel de fotos com o que aconteceu há um ano e te lembre dos momentos compartilhados com a família ou amigos. No entanto, o ponto de perigo de viver um vida para redes ou tomando selfie de tudo o que acontece, é que quando os limites são borrados, há consequências nos níveis individual e interpessoal.

É claro que não estamos falando apenas da ligação entre o selfie e distúrbios psicológicos, mas de consequências mais tangíveis e concretas na vida real. Vamos ver quais.



Pessoalmente

  • Se as fotos forem publicadas, há uma superexposição da pessoa. Isso pode violar sua privacidade. Nos piores casos, há quem se aproveite da vida pública para assediar os outros. Por exemplo, através do cyberbullying. Fala-se também do modo como o corpo se torna objeto de consumo.
  • Há algumas pessoas que vivem dependentes das reações e comentários de outras pessoas em suas fotos. Eles são tão dependentes da opinião dos outros e tão inseguros que são pegos na busca constante de reforço e aprovação. Isso cria ainda mais insegurança, ansiedade e estresse.
  • Também se fala em selfie como um possível vício comportamental.
  • Apesar de serem casos mais isolados, não se deve esquecer que, em algumas ocasiões, tomar um selfie significa pôr em perigo a vida. Neste sentido, há notícias que ecoam de quedas e golpes de falésias, montanhas ou outros lugares por causa desses descuidos. Na busca pela melhor foto, muitas pessoas correm riscos desnecessários.


A nível interpessoal

  • Perdemos o prazer e a conexão com outras pessoas por estar ciente da pose, da selfiedos detalhes da foto.
  • Quando o selfie eles implicam sair na captura junto com outros e depois os compartilhamos, às vezes damos origem a disputas ignorando o direito à privacidade.
Se o dia gira em torno da necessidade irreal de tomar selfie publicar nas redes, então estamos diante de uma obsessão doentia.

Selfies no contexto do primado da estética e da imagem.

Não podemos ignorar que é um fenômeno da época, facilitado pelas novas tecnologias. No entanto, não devemos demonizá-los, mas aprender a fazer bom uso deles.

Hoje o imperativo é a imagem, o que “fica bonito”. Mas o risco que se corre é de injuriar tudo o que não entra nesse cânone. Talvez não estejamos tão conscientes dessa metamensagem, mas a reforçamos.

Muitas vezes, a própria vida real nos incomoda porque não vemos tudo com a cor e o filtro das redes. Dessa forma, passamos a construir uma imagem muito retocada e fictícia, o que não é muito consistente com o que acontece quando a câmera está desligada.

Por trás de todas essas pretensões de perfeição ou estética, sem querer, poderíamos estar semeando solo favorável para quem já tem distúrbios alimentarespara aqueles que se sentem deprimidos ou para aqueles que não encontram sentido em suas vidas.

A vida é como é: em todas as suas cores, com seu preto e branco. Não deixe as redes nos enganarem.

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