O sincericídio carece de prudência e se desculpa sob ideias rígidas que pouco empatizam com o interlocutor. O que fazer para evitá-lo? Aqui estão algumas dicas.

Sincericídio: a importância de pensar antes de dizer a verdade

Última atualização: 27 de junho de 2022

O sincericídio costuma ser um tema que não passa despercebido, pois há quem defenda a honestidade como valor absoluto e, em primeiro lugar, além das consequências. No entanto, por outro lado, existem aqueles que são mais a favor das nuances.

Diga a verdade, não importa o que for preciso? Na verdade, isso traz várias consequências. Abaixo detalhamos o que é e como gerenciá-lo melhor.

Sincericídio: quando a palavra precede o pensamento

Falar em sincericídio leva-nos inevitavelmente a pensar na conjunção de duas palavras; sinceridade e suicídio como morte. Ou seja, de uma “verdade que mata”, chocante e excessiva. Portanto, para entender o que é, diferenciamo-lo da sinceridade.

Sinceridade

Sinceridade tem a ver com compartilhar uma ideia, mas com a consideração do outro. É uma verdade que está em sintonia com o interlocutor, porque empatia. Trata-se de ser cuidadoso, prudente e abordar o outro com algo que pode ser útil e construtivo.

sincero

O sincericídio não conhece limites, perde o respeito pelos outros, geralmente se baseia em impulsos e, com isso, beira a grosseria e a falta de critério. Também, prioriza suas próprias convicções, como se fosse um “pacote” do qual você tem que se livrar ou uma bomba-relógio que vai explodir nas mãos de outros.

Em outras palavras, colocamos a nós mesmos e nossas opiniões em primeiro lugar, o outro deixa de importar e também ignoramos o contexto da comunicação. Às vezes, isso é motivado pela busca de estar certo e ter a última palavra. Em suma, por um interesse egoísta.

Porém, temos que saber que o sincericídio tem consequências, não só no nível individual, mas nas relações interpessoais.

Enquanto na sinceridade há empatia, no sincero as emoções do outro são ignoradas.


Algumas recomendações sobre o sincericídio

É preciso ter muito cuidado porque em nome da “sinceridade” se dizem coisas ofensivas ou o outro é negligenciado. Devemos exercer a responsabilidade afetiva, com a qual levamos em consideração a outra pessoa envolvida.

Nossas palavras não são ingênuas ou inocentes, elas carregam um grande peso. Portanto, não podemos “jogá-los” ao vento, simples assim. Algumas das chaves para não cruzar a linha tênue que separa a sinceridade da completa desconsideração são as seguintes.

Cuidar do outro através da assertividade

Vamos escolher palavras justas, medidas e empáticas. Evitemos expressões absolutistas, extremistas, carregadas de emoções negativas. Estejamos cientes de que as palavras não são inócuas, mas também enfatizam e acentuam as ideias.

Regulamentar informações, dose

Quando começamos uma conversa temos que pensar na utilidade do que queremos dizer. De que adianta uma pessoa saber disso? Você quer saber? O que meu comentário vai trazer para você? É importante sermos capazes de nos colocarmos no lugar deles.

Pergunte a nós mesmos de onde vem a necessidade de falar

Muitas vezes, o furo nos “queima” na boca; Queremos ser os primeiros a contar sobre isso. No entanto, quando o pensamos com mais cuidado, percebemos que corresponde à sua própria necessidade, de ser visto, de ser protagonista.

Por isso é tão importante reservar um tempo para refletir e entender o que nos motiva a compartilhar determinadas informações. Às vezes ele também fala de um incapacidade de gerenciar nossas próprias emoções e, portanto, “descarregamos” nos outros o que sentimos.

escolha o momento certo

A comunicação tem um sentido de “oportunidade” que não podemos ignorar se quisermos que seja eficaz. Não é o mesmo abordar um assunto delicado durante uma viagem de ônibus do que fazê-lo no sala de estar de casa, com calma.

Se vamos compartilhar uma notícia, devemos estar à altura da ocasião e encontrar um momento oportuno. Embora seja verdade que quando se trata de um tema difícil não existe um momento “perfeito”, podemos escolher melhores circunstâncias.

Há uma frase famosa que diz «uma pessoa pode esquecer o que dizemos, mas nunca esquecerá como a tratamos».

Questione-se, é uma opinião ou é um conselho?

Devemos ter muito cuidado em apresentar nossas ideias como se fossem verdadeiras, com conotações moralistas e preconceituosas. Por exemplo, uma pessoa quer dizer à irmã que está preocupada com o excesso de peso dela. No entanto, antes de fazer um julgamento, devemos investigar se ele está fazendo algo sobre isso, se você tem alguma dificuldade, quais situações você está passando, etc.

Dizer “você engordou”além de ser um comentário inapropriado sobre o corpo do outro e ser destrutivo, não contribui em nada no sentido da solução.

Respeite a comunicação e os processos de cada um

Uma vez que decidimos dizer algo a alguém, temos que respeitar sua reação, seus tempos, seus silêncios e o impacto que o que dizemos pode causar. Neste sentido, devemos também saber que não devemos “jogar a pedra e esconder a mão”. Pelo contrário, devemos oferecer um espaço de contenção e escuta.

Falar com assertividade e empatia é fundamental para evitar as consequências do sincericídio.


E se investirmos? Primeiro o registro e depois a palavra

Como já mencionamos, o sincericídio muitas vezes responde às nossas próprias ideias, a crenças rígidas que nos levam a manter a “verdade” como norma ou caminho fixo, além das circunstâncias. Comecemos por aceitar que a verdade absoluta e única não existe; cada um faz um recorte da realidade e a olha com suas próprias lentes.

Às vezes, agir a partir do sincericídio é uma estratégia para chamar a atenção ou “devolver” a outra pessoa por algo que ela nos disse e nos feriu em algum momento. Por isso, é preciso parar e pensar de antemão, analisar as próprias emoções e a posição de onde falamos. Informação é poder, e muitas vezes confundimos ser honesto com o uso desse poder.

Ao mesmo tempo, é preciso evitar cair na “unidirecionalidade” da comunicação, em que só importa o que queremos dizer e o que temos a dizer. A comunicação implica sempre um outro; daí a importância de ter isso em mente toda vez que falamos.

Não se trata de sinceridade expor a outra pessoa e humilhá-la com nossos comentários; isso é abuso, cru e duro. Devemos ser capazes de nos desculpar se acharmos que estamos errados. Às vezes nós “corremos soltos” e machucamos os outros. Devemos recuar, ser humildes e admitir o erro.

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